Utopia

A última lona foi dobrada!
A trupe cabisbaixa abandona obrigatoriamente o tablado!
Não se ouve o pipocar dos fogos!
A massa humana dos bares e das ruas embrulhou a euforia, sufocando a utopia necessária à sobrevivência.
O verde e amarelo esmaecido já não brilha na esperança do sonho acalantado!
Restou-nos apenas o pão ázimo sovado pelo suor da luta perene de tantos.
Restou apenas o nada!
Talvez o nada fosse melhor do que a batalha malograda do cotidiano nesse cenário sem rumo, sem direção.
Fantoches de uma situação!
Malabaristas da madrugada e das noites mal dormidas vagueiam pelas avenidas na orfandade, reféns da improbidade estabelecida, que reina absoluta ignorando a luta
de um exército de mãos calejadas, sujas e desamparadas.
Os patrões e empregados no dia a dia assaltados, querem erguer a nação, mas é uma luta inglória na conjuntura atual que não oferece nenhum respaldo, só exploração.
Tivemos a vã ilusão sim, de que a taça seria nossa e de que esse troféu levantado por equivocados heróis pudesse amenizar o sonho pueril de vencedor, mas não foi assim e vamos seguindo acreditando que apesar de todos os pesares “Um filho teu não foge à luta”, embora a “Ordem e Progresso” também tenha escapado de nossas mãos.

“O amor por princípio e a Ordem por base. O Progresso por fim”
Auguste Comte.

Maria Viola Bona

08/07/2018

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