Quando a expectativa dos pais supera a razão

Christina era uma aluna exemplar.

Atenciosa, educada, delicada, estudiosa, participava das  aulas e era totalmente comprometida com as tarefas escolares. Simpática, se relacionava muito bem com os colegas e era querida por todos.  Ela era também bailarina, o que lhe dava  uma postura altiva e ao mesmo tempo suave. Muito graciosa, caminhava como se deslizasse  entre as carteiras da sala de aula. Possuía enfim, inúmeras qualidades louváveis para uma  adolescente de 13 anos.

Tudo parecia perfeito na vida de Christina.

Em um atendimento individual à mãe da aluna descobri,   porém, que essa perfeição estava sendo abalada por uma expectativa exagerada da mãe em relação às suas notas.

As notas eram excelentes e o Boletim Escolar digno  de fazer inveja a qualquer estudante, mas para a mãe em questão esses resultados não eram suficientes o bastante para atender às suas expectativas.

Ela me disse:

- Eu sempre fui aluna nota 10 e exijo o mesmo da Christina.

Me surpreendi  com essa fala e argumentei que, embora a aluna fosse realmente muito inteligente, ela tinha uma relação  saudável com a vida, não era competitiva e nem obcecada por notas, o que dava a ela condições de viver a vida e a adolescência em toda a sua plenitude.

Conversamos muito, mas a mãe se mostrou irredutível. Ela exigia 100% de aproveitamento já que a filha, além do ballet, não fazia outra coisa na vida, senão estudar.

Situação complicada, pois a menina, já  com todas as implicações da adolescência e com a intransigência da mãe, passou por uma mudança de comportamento como era de se esperar, a princípio tímida, mas  chegando mesmo depois a enfrentar a mãe em várias ocasiões que pude presenciar.

É uma pequena história que merece reflexão, pois muitas famílias possuem um grau de expectativa quase impossível de ser atingido, até porque o adolescente deseja e precisa viver o seu momento, não conseguindo por isso, manter um foco que lhe dê resultados de acordo com o esperado pelos pais.

Isso é criar problemas onde eles não existem, acarretando  desentendimentos e gerando conflitos desnecessários.

Quando o (a) aluno (a) não consegue corresponder às expectativas dos pais eles reagem, às vezes desanimando  e outras vezes se rebelando e a consequência disso normalmente é um quadro bastante desagradável.

Christina mudou de cidade e, portanto  de escola.

Nunca mais  tive notícias  e nem fiquei sabendo  se ela teria conseguido administrar racionalmente aquela situação, ou se a mãe teria percebido a tempo o quanto a sua insensibilidade poderia prejudicar a  filha.

Educar é um exercício que exige reflexão permanente!

Até breve,

Maria

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