Quem pode explicar a vida?

Quem pode explicar a vida?
Suas nuances, suas cores,
Amores e desamores…
Matizes que se alteram,
Felicidade, dissabores.
Quem pode explicar os sentimentos?
Afinidade ou rejeição,
Não se sabe de onde vêm
Às vezes involuntários, sem aparente razão!
Quem pode explicar o tempo?
Que altera tantos fatores,
Que ameniza tantas dores,
Que muda da vida a definição.
Quem pode avaliar o ser,
Que vive a própria existência
Numa busca de sentido
Se perdendo, se encontrando,
Nos tropeços ou na alegria,
Na vida de cada dia,
Tentando apenas ser feliz.
Quem pode explicar a ilusão?
Efêmera com certeza,
Transitória, sem grandeza,
Vitimando sem perdão.
Quem pode explicar a esperança?
Que surge como acalento
Para fazer renascer.
Basta apenas um fio
Para mudar a visão.
Quem pode explicar os sonhos?
Que afloram vindos do nada,
Gerando inquietação.
Exigindo movimentos,
Buscando realização.
E nós que nada sabemos,
Na falta de explicação,
Vamos seguindo em frente
Com ou sem solução,
Acreditando somente, esperando o que vier.
Quem pode explicar a fé?
Teorias e teorias tentam em vão explicar
A vida e seus meandros,
Cada coisa em seu lugar,
São apenas teorias que nada podem provar,
Uma vez que nessa vida,
A impermanência é o que há.

Publicado na Antologia SCORTECCI 35 anos/2017

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Razão para viver

A vida não tem scripit,
Não há nada definido.
Em certos dias pensamos,
Que está tudo perdido
Mas sempre surge um novo dia,
Um novo sol a brilhar,
E encontramos alento
De alguma forma,
Em algum lugar.
E a esperança se renova
E novo motivo se faz,
Em novas portas que se abrem
Recuperamos a paz.
E vamos seguindo em frente
Vivendo sem precisão
É caminho de incertezas,
Mas sempre achamos que não,
Acreditamos no controle de toda a situação.
O que importa é saber
Que não vivemos em vão
E que a vida tem sentido,
Quando encontramos uma razão.

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A ilusão comemorada

Em seu livro “Se eu pudesse viver minha vida novamente” Rubem Alves diz que fazemos festa não porque estamos alegres, mas para espantar a tristeza.
Talvez não seja exatamente assim, mas talvez as festas sejam necessárias para que possamos sobreviver.
Existe em cada ser humano uma busca incessante, um desconforto de alguma coisa que se foi ou talvez a esperança de que algo novo possa vir como lenitivo para as nossas dores, a dor de ser cada um.
Talvez busquemos em alguns copos e em algumas gargalhadas inúteis, a ilusão do pleno gozo da vida que na verdade é o paraíso oculto, o dantes nunca encontrado.
O vazio em nós mesmos que talvez alguns consigam aplacar com alguma crença, pode ser.
O temor de olhar pra dentro, a culpa sem ter culpa, o medo da autopiedade e da miserabilidade que tentamos a todo custo esconder.
Quanto mais comemoramos é porque mais necessitados estamos.
É preciso fugir da implacável solidão do ser humano.

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“Varinha de Condão”

“Varinha de Condão”

Ah! Como eu queria ter
Uma “varinha de condão”
Pra aliviar as dores e angústias,
Dos que moram em meu coração.
Ah! Um lugar tão colorido,
Bem clarinho e florido
Onde flutuassem bolinhas de sabão!
Ah!Como eu faria esse mundo tão bonito,
Só colheria sorrisos,
Não existiria o aflito.
Ah! Doce sonho de magia
Onde só pudesse reinar a alegria,
A felicidade e a paz.
Talvez seja esse o mundo da criança
Que habita o paraíso,
Que partilha a esperança
E alimenta a fantasia
Que acredita em contos de fada..
Que pode ser feliz com quase nada.
Mas a vida não é assim,
São tantas encruzilhadas
São tantos sonhos sonhados
E tanta desilusão
Que pena que eu não tenho
Uma varinha de condão!

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Utopia

A última lona foi dobrada!
A trupe cabisbaixa abandona obrigatoriamente o tablado!
Não se ouve o pipocar dos fogos!
A massa humana dos bares e das ruas embrulhou a euforia, sufocando a utopia necessária à sobrevivência.
O verde e amarelo esmaecido já não brilha na esperança do sonho acalantado!
Restou-nos apenas o pão ázimo sovado pelo suor da luta perene de tantos.
Restou apenas o nada!
Talvez o nada fosse melhor do que a batalha malograda do cotidiano nesse cenário sem rumo, sem direção.
Fantoches de uma situação!
Malabaristas da madrugada e das noites mal dormidas vagueiam pelas avenidas na orfandade, reféns da improbidade estabelecida, que reina absoluta ignorando a luta
de um exército de mãos calejadas, sujas e desamparadas.
Os patrões e empregados no dia a dia assaltados, querem erguer a nação, mas é uma luta inglória na conjuntura atual que não oferece nenhum respaldo, só exploração.
Tivemos a vã ilusão sim, de que a taça seria nossa e de que esse troféu levantado por equivocados heróis pudesse amenizar o sonho pueril de vencedor, mas não foi assim e vamos seguindo acreditando que apesar de todos os pesares “Um filho teu não foge à luta”, embora a “Ordem e Progresso” também tenha escapado de nossas mãos.

“O amor por princípio e a Ordem por base. O Progresso por fim”
Auguste Comte.

Maria Viola Bona

08/07/2018

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Boicotando a felicidade

O ser humano é mesmo surpreendente!
Tenho um amigo, cara bacana, legal, que vindo de uma vida difícil conseguiu uma boa estabilidade financeira, tem uma família linda e filhos saudáveis, casa maravilhosa, carro do ano, viagens, tudo isso que as pessoas desejam, principalmente as que tiveram que trabalhar duro para realizar seus sonhos. Perfeito! Mas apesar de tudo isso, meu amigo é um muro de lamentações, vive reclamando, reclamando e reclamando.
Terá o meu amigo medo de ser feliz?
Na verdade vez ou outra ele se mete em algumas situações embaraçosas, como se procurasse uma punição pelas suas conquistas.
Dá pra entender? Não, não dá!
É como se um sentimento de culpa vindo não sei de onde o atormentasse. Culpa por tudo que tem de bom e do que poderia estar usufruindo plenamente.
Que pena!
A única maneira pela qual consegue lidar com a situação é boicotando a própria felicidade.
Pode ser que um dia ele desperte e seja capaz de enxergar a vida de outro modo, deixando a prisão e alcançando a liberdade.

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O que me move hoje?

Todos nós precisamos de um sentido para a nossa existência. Normalmente não pensamos muito nisso, mas existem períodos em que se faz necessário uma automotivação consciente para que as coisas não saiam dos eixos e causem desequilíbrio, ou pior que caminhem para a apatia. Autopiedade também não vale como conselheira.

Receitas para esses períodos. Rsrs

- Acordei!

- O que me move hoje?

NADA não serve como resposta.

Faça uma relação de todas as coisas boas que você tem.

Com certeza, se colocar em colunas separadas as coisas boas e as ruins, vai perceber que as coisas boas ganharão disparadamente, mas nem sempre estamos muito a fim de dar valor a isso. Mas devíamos.

O que me move hoje?

Qualquer coisa serve, desde que possa reforçar um pouco o ânimo.

Um dia de cada vez: – Hoje isso pode me fazer bem!

- Dar uma caminhada, tomar um sorvete, resolver uma questão pendente no trabalho, dar uma caprichada no visual e se achar o máximo.

Escolha uma coisa que acrescente um prazer individual ao seu dia.

Faça disso um hábito diário.

Acredite que esse período morno será superado.

Não quero dar uma de conselheira e nem de analista de botequim, mas sabemos que os altos e baixos são inerentes ao ser humano e que às vezes é bom dividir e se permitir fazer uma revisão pra não perder o fio da meada.

Não podemos perder o brilho.

Até breve

Maria Viola Bona

 

 

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Celebrando a vida

Pablo Diego Inácio de Melo, de 34 anos, é mais um sobrevivente de ataque de tubarão em uma praia no Recife. Ao “Fantástico”, ele relembra o ataque.

Natural do Rio Grande do Norte, Pablo após uma “pelada” entra no mar com os amigos e é atacado por um tubarão.

Na entrevista concedida ao programa o que impressiona é a felicidade do rapaz por estar vivo.

- Estou muito feliz, disse ele.

Desconsiderou totalmente que tinha perdido uma perna, uma mão e uma parte de um  braço e demonstrava a sua felicidade pelo fato de ter sobrevivido. Disse que quando acordou no hospital, local onde foi feita a entrevista, imaginou que tivesse tido um pesadelo, mas logo depois percebeu que não fora um sonho. Ele ria muito e se mostrava deveras agradecido. Naturalmente que a sua vida passaria por uma grande mudança, mas não se ateve a esse fato.

Fiquei imaginando em quantas pessoas poderiam reagir de forma semelhante. Acredito que a grande maioria se sentiria vítima de uma tragédia e estaria absolutamente destruída.

Dizem que “não importa muito o que nos aconteça, mas importa a maneira como reagimos ao acontecido”.

Acho que isso merece uma reflexão.

Até breve,

Maria Viola Bona

 

 

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Motivos para viver

 

Há alguns dias, participando de uma reunião, um amigo de repente disse:

- Hoje me levantei às 11h! Não tinha motivos para sair da cama.Essa fala deveras me impressionou e me fez ficar atenta. Como assim?

Que perigo corremos nós, após ter trabalhado por tantos anos, criado e educado nossos filhos e aposentado, ter que ter motivos para sair da cama.

A fala do meu amigo tocou-me profundamente e um misto de empatia e compaixão apossou-se de mim.

Pensei nisso por vários dias e ainda penso.

Estou concluindo que após ter trabalhado sério pela vida afora agora precisamos fazer uma reconstrução e encontrar prazer nas coisas mais simples da vida, caso contrário estaremos correndo grandes riscos, a ociosidade e ou a falta de motivação provoca verdadeiros estragos emocionais. A princípio quando nos aposentamos é uma delícia. Não precisamos ter horário para acordar e sair no meio da tarde para fazer compras é de fato uma maravilha. Dormir à tarde numa quarta feira ou ver um filme até a madrugada é diferente e prazeroso, mas aos poucos, passada a novidade quase sempre nos sentimos assim meio que fora do mundo. Já ouvi repetidamente “agora sou um zero à esquerda”, sem falar na clássica síndrome do “ninho vazio”, quando nossos filhos já bateram asas.

Uma estranha sensação de inutilidade!

É hora de reconstruir e aproveitar o máximo possível.

Há algum tempo atrás me senti assim e percebi que era hora de refazer muita coisa.

Saí da cama no meio da tarde e decidi que tomaria prazerosamente um café, com toda calma do mundo, absorvendo cada gota. Sentei à mesa sentindo-me uma rainha e a partir daí cada passo foi cuidadosamente calculado, evitando reclamar mas sim decidida a aproveitar tudo que o novo status pode oferecer.

É possível sim, é necessário encontrar razões para viver. Elas podem ser encontradas nos mínimos detalhes.

Atenção!

Até a próxima,

Maria Viola Bona

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Emagreci 14 Kg

Então, aqui estou eu 14 kg mais magra e pra falar a verdade, que parece mentira, nem sei exatamente como isso aconteceu, foi tudo muito rápido, mas posteriormente, darei maiores detalhes.

O fato é que aos 67 anos, após essa perda de peso que levou junto também uma grande quantidade de massa muscular, busco agora repor essa perda. Naturalmente não vou correr atrás dos carboidratos e açucares que me trariam apenas gordura, mas sim buscar uma alimentação saudável que favoreça essa reposição.

Muita coisa mudou na minha vida, e foram tantas as mudanças que fiquei um pouco desorientada. Meu guarda roupa 40,42 agora passou para 36, 38, o G e o M foram substituídos por P ou PP. Roupas que faziam parte do meu cotidiano agora descansam nas gavetas e nos armários olhando pra mim.

- Mas isso não é bom? Você perguntaria.

Sim de certa forma, mas toda mudança trás consigo uma perda.

O que era, deixou de ser.

Meu joelho que ainda exige restrições, também é uma mudança. Está certo que operei porque estava ruim, mas agora é a dor resultante da cirurgia.

Em minha casa os quartos ficam no andar superior e como subir escada ainda é desaconselhável, há exatamente três meses e meio que não vou lá, as coisas e espaços que ocupei ao longo dos anos, no momento não têm utilidade para mim.

Tivemos que fazer uma adaptação no térreo que ficou ótima, mas não deixa de ser um ambiente diferente.

E os sapatos de salto? Também encostados.

Embora reconheça as vantagens e as necessidades das mudanças, essas foram muitas e me atropelaram.

Enfim, vamos seguindo em frente e adaptando às circunstâncias.

 

 

Até a próxima!

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