O prejuízo de queimar etapas

Renata era uma criança encantadora.

Ainda não completara três anos quando entrou na escola, mas sentiu-se muito  à vontade no novo espaço.

Logo  destacou-se  no grupo.

À medida que o tempo passava mais e mais Renata encantava. Participava de tudo com entusiasmo e aprendia com muita facilidade.

Ela era considerada uma criança precoce. A família tinha muito prazer em  exibir  os dotes da garota no meio.

Aos cinco anos, no final do ano letivo, sua mãe dizia “  ela está muito à frente dos colegas”.

E foi assim, que no início do ano seguinte,  a mãe argumentando que havia  submetido a filha a um teste de QI e que  como a menina alcançara um  quoeficiente  altíssimo, ela desejava que a aluna fosse logo promovida  para o 2º ano.

A escola não acatou o pedido da mãe, que imediatamente providenciou a transferência da aluna  para outra escola, onde pudesse realizar seus intentos.

A princípio a garota, esperta como era, conseguia acompanhar a turma. À medida que o tempo passava, porém,  com o  aprofundando dos conteúdos, Renata começou a ter dificuldades.

Renata chegou ao 6º ano insegura, arredia,  com dificuldades de aprendizagem,  com problemas de  auto estima  e de relacionamentos. Chorava sempre.

O fato de ter queimado  uma etapa deixara rastros. As lacunas foram se acumulando  ao longo dos  anos anteriores e a aluna, antes brilhante passara  a se arrastar. Embora fosse cognitivamente competente, as defasagens e o emocional não permitiam o seu desenvolvimento.

A mãe não aceitava a situação que já se tornara  grave, para ela e para a filha.

As duas  buscaram auxílio numa terapia.

Aos poucos a mãe foi se conscientizando da questão real  e dos prejuízos que a queima  daquela etapa produzira. Começou então a aceitar as propostas de trabalho sugeridas , colocando inclusive uma professora particular, para fazer um trabalho de realfabetização  com a aluna.  Tornou-se parceira, no trabalho com a filha, que aos poucos foi  superando as perdas que tivera.

Hoje Renata já está na faculdade, onde faz o Curso de Administração.

Atualmente, o Conselho Nacional de Educação (CNE)  define  a idade para o ingresso no Ensino Fundamental, mas antes disso, muitos pais cometeram esse equívoco e hoje podem  estar lidando com o retrocesso pedagógico de seus filhos.

Sabemos que existem alguns casos de crianças prodígio, mas  são casos raros  que não podem servir de referência, até porque normalmente essas crianças se desenvolvem apenas em uma área específica, como é o caso de Mozart  por exemplo, um gênio musical.

Um abraço,

Maria

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