A ilusão comemorada

Em seu livro “Se eu pudesse viver minha vida novamente” Rubem Alves diz que fazemos festa não porque estamos alegres, mas para espantar a tristeza.
Talvez não seja exatamente assim, mas talvez as festas sejam necessárias para que possamos sobreviver.
Existe em cada ser humano uma busca incessante, um desconforto de alguma coisa que se foi ou talvez a esperança de que algo novo possa vir como lenitivo para as nossas dores, a dor de ser cada um.
Talvez busquemos em alguns copos e em algumas gargalhadas inúteis, a ilusão do pleno gozo da vida que na verdade é o paraíso oculto, o dantes nunca encontrado.
O vazio em nós mesmos que talvez alguns consigam aplacar com alguma crença, pode ser.
O temor de olhar pra dentro, a culpa sem ter culpa, o medo da autopiedade e da miserabilidade que tentamos a todo custo esconder.
Quanto mais comemoramos é porque mais necessitados estamos.
É preciso fugir da implacável solidão do ser humano.

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