“O Paraiso é uma questão pessoal”

Segundo Richard Bach a realidade do homem é o que ele acredita.
Nada mais simples, nada mais complexo.
O referido autor inicia o seu livro O Paraíso é uma questão pessoal com a seguinte fala: – É melhor você ter cuidado com o que pede nas suas orações – disse, certa vez, alguém – porque você acabará conseguindo.
Entre as vicissitudes da vida, o cotidiano e o emaranhado de pensamentos e sentimentos sob controle ou descontrolados há uma nebulosidade que impede a visão clara e lógica de que tudo poderia ser apenas uma questão de paradigmas.
Em qual dos mundos existimos?
No real ou no virtual?
Se acreditarmos no “agora” naturalmente viveremos a realidade, então estaremos no mundo como ele se apresenta no momento e teremos condições de adequar os nossos sonhos, anseios e crenças à situação atual e poderemos fazer os ajustes necessários às questões que se fizerem primordiais para o domínio do nosso viver. Sendo assim, “a realidade do homem será o que ele acredita”.
E o mundo virtual?
Desde o momento em que acordamos somos assaltados por todo o tipo de pensamentos, fantasmas do passado ou do futuro que mexem com nossas estruturas emocionais, quase sempre gerando desequilíbrio. Deixamos de viver o mundo real, e ficamos impedidos de ter o domínio sobre a nossa vida.
E o foco?
O negativo tem uma força extraordinária e quase sempre focamos no que não queremos ou tememos, enquanto o que realmente desejamos fica em segundo plano.
Quanto mais pensamos numa situação negativa mais força ela ganha, o inverso também é verdadeiro.
Precisamos então ficar atentos, pegar o nosso leme e conduzir o nosso barco acreditando que quase sempre podemos criar a nossa realidade.

Pensar no que queremos!
Focar no que queremos!
Agir de acordo com o que queremos!

Até breve!

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Compaixão

Por que chora meu coração?
Esse pranto tão sentido,
Sem sentido, sem razão.
-Eu choro as dores do mundo,
Eu choro por compaixão.
Choro pelos refugiados,
Choro pelos desempregados,
Choro pela perda da ilusão!
Pelas histórias sofridas
Que machucaram tantas vidas
Tantas sem superação.
Choro pelas mãos estendidas,
Sem abrigo, sem proteção,
Choro pela solidão!
Choro pelos dias sombrios
Por todos aqueles dias tristes,
Choro toda a dor que existe.
Em qualquer situação.
Eu choro também por que,
Sei que esse choro é em vão.
A dor maior é saber,
Que só tenho a oferecer
Meu choro de compaixão.

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Ilusão

Ilusão

Às vezes presa num corpo cansado
Com dores por todo lado,
Saio livre a flanar
Percorrendo céus e terra
Velejando pelo mar.
Persigo sonhos dourados
Que não pude realizar.
Dou voltas por esse mundo,
Sem pressa de retornar.
Passo por todos os lugares,
Percebo outros olhares,
Experimento sensações
De um viver tão diferente
De outro povo, outra gente,
Em tantas situações.
Ao mesmo tempo tão igual!
Tão palpável, repetido, tão real.
Inerente ao ser humano,
O riso e a dor,
Na busca por si mesmo
À procura de amor
Da ternura e do afeto
Necessário à vida sim,
Semelhante ou adverso
Acaso ilusório ou concreto
O caminho é o mesmo enfim.

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Quem pode explicar a vida?

Quem pode explicar a vida?
Suas nuances, suas cores,
Amores e desamores…
Matizes que se alteram,
Felicidade, dissabores.
Quem pode explicar os sentimentos?
Afinidade ou rejeição,
Não se sabe de onde vêm
Às vezes involuntários, sem aparente razão!
Quem pode explicar o tempo?
Que altera tantos fatores,
Que ameniza tantas dores,
Que muda da vida a definição.
Quem pode avaliar o ser,
Que vive a própria existência
Numa busca de sentido
Se perdendo, se encontrando,
Nos tropeços ou na alegria,
Na vida de cada dia,
Tentando apenas ser feliz.
Quem pode explicar a ilusão?
Efêmera com certeza,
Transitória, sem grandeza,
Vitimando sem perdão.
Quem pode explicar a esperança?
Que surge como acalento
Para fazer renascer.
Basta apenas um fio
Para mudar a visão.
Quem pode explicar os sonhos?
Que afloram vindos do nada,
Gerando inquietação.
Exigindo movimentos,
Buscando realização.
E nós que nada sabemos,
Na falta de explicação,
Vamos seguindo em frente
Com ou sem solução,
Acreditando somente, esperando o que vier.
Quem pode explicar a fé?
Teorias e teorias tentam em vão explicar
A vida e seus meandros,
Cada coisa em seu lugar,
São apenas teorias que nada podem provar,
Uma vez que nessa vida,
A impermanência é o que há.

Publicado na Antologia SCORTECCI 35 anos/2017

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Razão para viver

A vida não tem scripit,
Não há nada definido.
Em certos dias pensamos,
Que está tudo perdido
Mas sempre surge um novo dia,
Um novo sol a brilhar,
E encontramos alento
De alguma forma,
Em algum lugar.
E a esperança se renova
E novo motivo se faz,
Em novas portas que se abrem
Recuperamos a paz.
E vamos seguindo em frente
Vivendo sem precisão
É caminho de incertezas,
Mas sempre achamos que não,
Acreditamos no controle de toda a situação.
O que importa é saber
Que não vivemos em vão
E que a vida tem sentido,
Quando encontramos uma razão.

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A ilusão comemorada

Em seu livro “Se eu pudesse viver minha vida novamente” Rubem Alves diz que fazemos festa não porque estamos alegres, mas para espantar a tristeza.
Talvez não seja exatamente assim, mas talvez as festas sejam necessárias para que possamos sobreviver.
Existe em cada ser humano uma busca incessante, um desconforto de alguma coisa que se foi ou talvez a esperança de que algo novo possa vir como lenitivo para as nossas dores, a dor de ser cada um.
Talvez busquemos em alguns copos e em algumas gargalhadas inúteis, a ilusão do pleno gozo da vida que na verdade é o paraíso oculto, o dantes nunca encontrado.
O vazio em nós mesmos que talvez alguns consigam aplacar com alguma crença, pode ser.
O temor de olhar pra dentro, a culpa sem ter culpa, o medo da autopiedade e da miserabilidade que tentamos a todo custo esconder.
Quanto mais comemoramos é porque mais necessitados estamos.
É preciso fugir da implacável solidão do ser humano.

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“Varinha de Condão”

“Varinha de Condão”

Ah! Como eu queria ter
Uma “varinha de condão”
Pra aliviar as dores e angústias,
Dos que moram em meu coração.
Ah! Um lugar tão colorido,
Bem clarinho e florido
Onde flutuassem bolinhas de sabão!
Ah!Como eu faria esse mundo tão bonito,
Só colheria sorrisos,
Não existiria o aflito.
Ah! Doce sonho de magia
Onde só pudesse reinar a alegria,
A felicidade e a paz.
Talvez seja esse o mundo da criança
Que habita o paraíso,
Que partilha a esperança
E alimenta a fantasia
Que acredita em contos de fada..
Que pode ser feliz com quase nada.
Mas a vida não é assim,
São tantas encruzilhadas
São tantos sonhos sonhados
E tanta desilusão
Que pena que eu não tenho
Uma varinha de condão!

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Utopia

A última lona foi dobrada!
A trupe cabisbaixa abandona obrigatoriamente o tablado!
Não se ouve o pipocar dos fogos!
A massa humana dos bares e das ruas embrulhou a euforia, sufocando a utopia necessária à sobrevivência.
O verde e amarelo esmaecido já não brilha na esperança do sonho acalantado!
Restou-nos apenas o pão ázimo sovado pelo suor da luta perene de tantos.
Restou apenas o nada!
Talvez o nada fosse melhor do que a batalha malograda do cotidiano nesse cenário sem rumo, sem direção.
Fantoches de uma situação!
Malabaristas da madrugada e das noites mal dormidas vagueiam pelas avenidas na orfandade, reféns da improbidade estabelecida, que reina absoluta ignorando a luta
de um exército de mãos calejadas, sujas e desamparadas.
Os patrões e empregados no dia a dia assaltados, querem erguer a nação, mas é uma luta inglória na conjuntura atual que não oferece nenhum respaldo, só exploração.
Tivemos a vã ilusão sim, de que a taça seria nossa e de que esse troféu levantado por equivocados heróis pudesse amenizar o sonho pueril de vencedor, mas não foi assim e vamos seguindo acreditando que apesar de todos os pesares “Um filho teu não foge à luta”, embora a “Ordem e Progresso” também tenha escapado de nossas mãos.

“O amor por princípio e a Ordem por base. O Progresso por fim”
Auguste Comte.

Maria Viola Bona

08/07/2018

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Boicotando a felicidade

O ser humano é mesmo surpreendente!
Tenho um amigo, cara bacana, legal, que vindo de uma vida difícil conseguiu uma boa estabilidade financeira, tem uma família linda e filhos saudáveis, casa maravilhosa, carro do ano, viagens, tudo isso que as pessoas desejam, principalmente as que tiveram que trabalhar duro para realizar seus sonhos. Perfeito! Mas apesar de tudo isso, meu amigo é um muro de lamentações, vive reclamando, reclamando e reclamando.
Terá o meu amigo medo de ser feliz?
Na verdade vez ou outra ele se mete em algumas situações embaraçosas, como se procurasse uma punição pelas suas conquistas.
Dá pra entender? Não, não dá!
É como se um sentimento de culpa vindo não sei de onde o atormentasse. Culpa por tudo que tem de bom e do que poderia estar usufruindo plenamente.
Que pena!
A única maneira pela qual consegue lidar com a situação é boicotando a própria felicidade.
Pode ser que um dia ele desperte e seja capaz de enxergar a vida de outro modo, deixando a prisão e alcançando a liberdade.

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O que me move hoje?

Todos nós precisamos de um sentido para a nossa existência. Normalmente não pensamos muito nisso, mas existem períodos em que se faz necessário uma automotivação consciente para que as coisas não saiam dos eixos e causem desequilíbrio, ou pior que caminhem para a apatia. Autopiedade também não vale como conselheira.

Receitas para esses períodos. Rsrs

- Acordei!

- O que me move hoje?

NADA não serve como resposta.

Faça uma relação de todas as coisas boas que você tem.

Com certeza, se colocar em colunas separadas as coisas boas e as ruins, vai perceber que as coisas boas ganharão disparadamente, mas nem sempre estamos muito a fim de dar valor a isso. Mas devíamos.

O que me move hoje?

Qualquer coisa serve, desde que possa reforçar um pouco o ânimo.

Um dia de cada vez: – Hoje isso pode me fazer bem!

- Dar uma caminhada, tomar um sorvete, resolver uma questão pendente no trabalho, dar uma caprichada no visual e se achar o máximo.

Escolha uma coisa que acrescente um prazer individual ao seu dia.

Faça disso um hábito diário.

Acredite que esse período morno será superado.

Não quero dar uma de conselheira e nem de analista de botequim, mas sabemos que os altos e baixos são inerentes ao ser humano e que às vezes é bom dividir e se permitir fazer uma revisão pra não perder o fio da meada.

Não podemos perder o brilho.

Até breve

Maria Viola Bona

 

 

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